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“Em toscos pedaços de madeira, o artista popular nordestino construiu a mais rica e instigante expressão plástica da cultura brasileira. De pouca leitura, o artista usou a técnica milenar da xilogravura para retratar o seu mágico universo, onde anjos se misturam com demônios, beatos com cangaceiros, princesas com boiadeiros, todos envolvidos nas crenças, esperanças, lutas e desenganos da região mais pobre do país. A aridez inclemente de todas as estações torna a paisagem sertaneja campo fértil para o fantástico. “Dentro da paisagem real, marcada por contrastes sociais, em que a maior sede é de justiça, os seres sofridos, desprezados e perseguidos encontram nos traços do gravador popular o campo para se transfigurarem em heróis e hóspedes de um mundo melhor.” Jeová Franklin , curador da exposição
Em fins da década de 1970, fazendo as reportagens "O sertão só se informa bem com a literatura de cordel" e "A via sacra da gravura sertaneja" para a revista Interior, do Ministério do Interior, Jeová Franklin entrevistou xilogravadores em Juazeiro do Norte, no Ceará, e nos municípios de Caruaru e Bezerros, em Pernambuco. Iniciou sua coleção por acaso, comprando obras para recompensar os artistas pela matéria. Desde então, o interesse pelo universo artístico da xilogravura nordestina e pela literatura de cordel cresceu e, junto com ele, a atividade de colecionador e pesquisador, sem fins comerciais.
Em quase trinta anos de dedicação, Jeová Franklin constituiu um acervo de grande valor para a memória das artes brasileiras reunindo cerca de 4.000 obras entre cordéis, gravuras e matrizes talhadas em madeira. Nesse período cultivou a amizade dos xilogravadores com quem manteve maior contato e devotou verdadeiro amor à tarefa de contribuir para o registro e a divulgação da arte gráfica popular nordestina. A exposição 100 Anos da Xilogravura na Literatura de Cordel apresenta parte desse acervo revendo a trajetória da xilogravura: |
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