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“Quem surgiu primeiro foi o repentista. Os repentistas iam antes nas casas. O cordelista veio depois de Leandro e outros, que escreviam no papel a mesma poesia. O repentista chega aqui e começa a cantar abrangendo tudo que tem nessa sala, o seu nome e de outro, as mulheres, os homens, o moreno, o pequeno, o gordo. Ele faz versos gozando ou elogiando todo esse povo.

O cordelista escreve com um objetivo, um enredo que vai dar um futuro para aquela história. É a mesma literatura, a mesma escritura, só que o repentista nasceu primeiro no Nordeste. A Paraíba é que é o lugar mais forte da poesia popular.

É muito difícil dar expressão a uma gravura. Eu desenho direto. Tem muitos gravadores que desenham no papel e passam para a madeira. Eu não. Pego a madeira, lixo, desenho, sai meio troncho, errado, lavo a faca, corto, imprimo e mostro. Se agradar, agradou. Se não agradar, foi brincadeira.”

J. Borges
(in J. Borges por J. Borges. Org. Clodo Ferreira. Editora UnB, 2006)

 

Dois fatores explicam as condições para que no início do século XX surgisse em Juazeiro do norte, Ceará, as condições ideais para as primeiras manifestações regulares da xilogravura. A vinda do entalhador italiano Agostini para esculpir as portas da igreja matriz trouxe a técnica que chamaram a atenção para uma nova função estética para a madeira.

Uma nova leva de artesãos se formou na arte de esculpir portas, guarda-roupas e santos para atender a demanda dos romeiros. Com a arte dos santeiros e tipografias improvisadas Agostini ensinou também o entalhe de matrizes de madeira para a impressão de títulos para o jornal do Padre Cícero e de rótulos de produtos fabricados pela indústria no vale do Cariri.

Com estilos opostos, Mestres Noza e Walderedo Gonçalves ganharam destaque como xilogravadores da região.  Noza, devoto, muito primitivista, produzia figuras sem detalhes. Walderedo, iniciado na arte da xilogravura dez anos depois de Noza e crédulo em relação ao Padre Cícero, foi considerado o mais clássico dos gravadores populares. Produzia ilustrações com traços finos e complexos sombreados.

Em Pernambuco, Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia surgiram pequenas gráficas caseiras, sem mercado de expressão. A democratização do processo produtivo de cordéis abriu espaço para a xilogravura e seus artistas.

 

©2007. Exposição 100 Anos de Xilogravura na Literatura de Cordel. Um projeto Cultura & Criatividade